quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Princípio, meio e fim


Começamos pelo principio. Sempre.

O meu inicio enquanto ser humano completo, mãe, mulher e sonhadora foi quando soube que estava grávida. Toda eu cheia de  um feijãozinho, tão pequenito que o pontinho mal se via na primeira e emocionante ecografia que fizemos. Fizemos, sim, porque é dos dois e apesar de encher a boca quando vocifero 'o meu filho' sei que também é dele. Não fosse o gajinho a tromba chapada do pai. Traidor, que te carreguei durante 9 longos meses e depois sais-me igualzinho a ele. 

 
Serei só eu ou quando o peste começa a despoletar asneiras e trapalhadas torna-se automaticamente 'o teu filho'? É inevitável. Meu para as coisas boas, dele para as más. Apesar de o feitio que o impele a asneirar ter grandes parecenças com o meu próprio feitio. Mau feitio dizem. Mal dizentes.  

E assim começa a minha jornada enquanto mãe, responsável por outro ser humano que mal abre os olhos e  sinto um AMOR GIGANTE. Maior que eu, maior que o universo, quase não cabe em mim.

Penso, e agora, estarei à altura? Claro que sim, só ainda não sabia. Mas descobri facilmente a essência do que é ser mãe um par de horas depois do nascimento quando ele começou a piar… qual passarinho, não respirava. 'Não se preocupe mãe, é normal. O Rafael nasceu antes do tempo e ainda não aprendeu que tem que respirar….' O quê? Morri. Ressuscitei. E sentei-me à ponta da cama com a mão encostada ao nariz dele não fosse ele esquecer-se outra vez. Inspira pequenito. E agora expira. Isso mesmo… E assim passei a 1ª noite da minha vida como mãe, mulher e sonhadora. Pois se não dormi, sonhei. Acordada. Acordadíssima aliás. Porque além do minorca não saber que para viver tem que fazer aquela coisa descabida, a minha companheira de quarto emitia uns sons estranhíssimos que me faziam lembrar o meu pai naquelas noites em que se deitava mais carregado e roncava que até as paredes abanavam. E a criança dela chorava. Berrava. Belos pulmões, pensava eu, enquanto via as horas a passarem e desejava ardentemente que fosse dia e depois noite e dia novamente para poder ir FINALMENTE para casa. Não desfazendo quem tao bem me tratou, o fantástico parteiro Ricardo do HSFX que me drogou e me perguntava, 'de 1 a 10, quanto te dói?' E eu… 11!!! Pimba, mais uma dose para não te queixares.

O Pai fumava. E fumava e fumava. E bufava a olhar para o CTG há tantos dias ligado sem dar sinal de desenvolvimentos. E espalhou-se ao comprido naqueles corredores quando a querida auxiliar o foi chamar 'é agora pai, vamos?' Aguentou-se bem. Muito bem para quem tem pavor de sangue e agulhas e tudo e tudo…  Firme e hirto até ter o filho nos braços. E depois começou a disparar mensagens a todos os amigos e familiares com a primeira fotografia de muitas do pequeno Rafa.

 

 

 E assim começam os sonhos. Os mais realistas e desejados sonhos que uma mãe, mulher e sonhadora pode ter. Vou-te dar o mundo, a ti e a mim. E aqueles meus sonhos, individualistas e egocêntricos passaram automaticamente para segundo plano. Mais nada importa.

 

 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

E assim começa...

Ao fim de tantos anos, desde que aprendi a escrever e a ler que o grande sonho de me tornar uma verdadeira escritora, qual autora de best sellers, me acompanha. Avanço agora, de forma um tanto ou quanto modesta pois claro, e comprometo-me comigo mesma em vir aqui todos os dias e escrever qualquer coisita. Porque compromissos não é comigo. Vamos ver como corre. Se me portar mal corram comigo!